Livro completo "Chegou a Hora"

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Capítulo 3 - Deus Conhece e Revela o Futuro



Daniel 2

Embora a profecia descrita no livro de Daniel capítulo 2 seja muito conhecida, faremos um breve estudo a respeito dela. Neste capítulo Daniel interpreta um sonho do rei babilônico, Nabucodonozor.
Daniel era um jovem hebreu que foi levado cativo para Babilônia no ano 605 a.C. Nesse reino ele serviu cerca de setenta anos durante os reinos de Nabucodonozor, Belsazar, Dario e Ciro. Se você tomar tempo em ler o capítulo 1 de Daniel verá como tudo começou e como Daniel tornou-se um dos sábios da corte.

605 a.C. - Daniel é levado cativo para Babilônia

602 a.C. - Nabucodonozor tem o sonho da grande estátua

A mensagem central do capítulo 2, do livro de Daniel, é que Deus conhece tudo sobre o futuro e nos revela aquilo que devemos saber.
“Ele (Deus) revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com Ele mora a luz”. (Daniel 2:22)
O rei teve um sonho entre 603 e 602 a.C. e acreditava que era importante.
Jacques B. Doukhan, em seu livro Secrets of Daniel, afirma que particularmente em Babilônia, a sociedade aceitava os sonhos como mensagens divinas e algumas vezes eram compiladas em “livros dos sonhos.” O povo acreditava tanto que gastavam tempo no templo à noite, no intento de receber essas mensagens divinas. Secrets of Daniel, pág. 24.
O impressionante é que o rei Nabucodonozor lembrava-se de ter sonhado, cria ser importante, mas não se lembrava do sonho.
A palavra “sonhos” aparece no plural (verso 1). Sonhar o mesmo sonho várias vezes era extraordinário. Se Nabucodonozor sonhou o mesmo sonho várias vezes, ele sabia que era importante. E por que ele esqueceu o sonho?
“O Senhor em Sua providência tinha um sábio propósito em vista ao dar este sonho a Nabucodonozor, e fazer com que ele o esquecesse em parte, mas reter o temor em sua mente. O Senhor desejava expor a pretensão dos sábios de Babilônia.” - Youth’s Instructor, Sep., 1, 1903
O próprio Deus deve ter originado a amnésia. Os babilônicos consideravam o ato de esquecer um sonho como sendo um sinal de que tinha um significado divino: “Se um homem esquece seu sonho, isto significa que Deus está com raiva dele.” Secrets of Daniel, pág. 25.
“Então o rei mandou chamar os magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus, para que declarassem ao rei quais lhe foram os sonhos; eles vieram e se apresentaram diante do rei.” (Daniel 2:2)

Quem eram essas pessoas?

Os magos, astrólogos, encantadores e caldeus eram uma elite privilegiada na corte Caldeia. Os primeiros – os hartummîm, - eram indivíduos tidos como ‘experts’ conhecedores dos mistérios sagrados e esotéricos. Estes homens eram considerados tanto no Egito, como em Babilônia como sábios eminentes no conhecimento e na ciência. Eram eruditos escribas em sua atividade real. Os hartummîm – que eram chamados haritibi pelos acádios – eram os intérpretes dos sonhos por excelência e reconhecidos profissionais nesta atividade, eram homens de renome, inclusive nas cortes assírias. Os segundos, os assapîm – eram os experts na contemplação dos céus e hábeis na busca de sinais celestiais como meios de predição. Os terceiros – os mekassapîm – eram os sábios por excelência, identificados com a casta sacerdotal e com as atividades relacionadas com o conhecimento e as letras. E Daniel, mesmo recem graduado nos estudos destas artes, já era contado como um dos sábios caldeus, mas por alguma razão não estava presente nesta ocasião. Daniel, el Profeta Mesiánico, Vol. II, pág. 44.

ENCANTANDORES = Recebiam treinamento para manter contentes os deuses.
MAGOS E FEITICEIROS = Tentavam proteger as pessoas mediante o afastamento dos demônios. (Os magos liam a mão, as cartas, óleo no fundo de uma xícara e liam através de um fígado bovino. Os feiticeiros usavam premonição, telepatia, telecinesia, necromancia, etc.)
ASTRÓLOGOS = Interpretavam agouros e prediziam o futuro olhando os desenhos formados pelas estrelas.
CALDEUS = Ofereciam ampla variedade de serviços e em conjunto constituíam o grupo étnico que governava sobre Babilônia (eram os eruditos do reino).

Daniel fazia parte deste último grupo. E como não podiam interpretar o sonho, Daniel foi em busca da resposta.
“Então Daniel foi para sua casa, e fez saber a coisa a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros; para que pedissem misericórdia ao Deus do céu, sobre este segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem juntamente com o resto dos sábios de Babilônia. Então foi revelado o segredo a Daniel numa visão da noite.” (Daniel 2:17 a 19)
E Daniel agradeceu a Deus louvando:
“Então Daniel louvou o Deus do céu. Falou Daniel e disse: Seja bendito o nome de Deus desde o século, até o século, porque dele é a sabedoria e a força, e ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; Ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos entendidos. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas e com ele mora a luz. Ó Deus de meus pais, Te louvo e celebro eu, que me deste sabedoria e força; e agora me fizeste saber o que Te pedimos, porque nos fizeste saber a coisa do rei.” (Daniel 2:20-23)
Esta é a primeira oração que aparece no livro de Daniel. No total são assinaladas sete orações. Na realidade a oração sempre esteve presente na vida de Daniel. Mas nesta ele revela sua gratidão, convicção, devoção, vida de oração e entendimento total do que lhe foi revelado. E ele reconhece que o pedido foi feito em conjunto com seus amigos quando diz: agora me fizeste saber o que Te pedimos.
A situação era séria, pois se não dessem a interpretação eles seriam mortos.
“Por isso Daniel entrou a Arioque, ao qual o rei tinha constituído para matar os sábios de Babilônia, entrou e disse-lhe assim: não mates os sábios de Babilônia, introduz-me na presença do rei, e declararei ao rei a interpretação.” (Daniel 2:24)
Em todos os tempos os filhos de Deus têm sido o “sal da terra” para preservar o mundo da destruição: Noé antes do dilúvio, Ló em Sodoma, Paulo no navio, etc. Semelhantemente a vida dos sábios de Babilônia foi poupada por amor a Daniel.
Mas Daniel demonstrou ao rei, quem era o responsável por ter dado o sonho e também a interpretação:
“Então Arioque depressa introduziu a Daniel na presença do rei, e disse-lhe assim: achei um dentre os filhos dos cativos de Judá o qual fará saber ao rei a interpretação.
Respondeu o rei e disse a Daniel: Podes tu fazer-me saber o sonho que vi e a sua interpretação?
Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O segredo que o rei requer, nem sábios, nem astrólogos, nem magos, nem adivinhos o podem declarar ao rei. Mas há um Deus nos céus, o qual revela os segredos; Ele pois fez saber ao rei Nabucodonozor o que há de ser no fim dos dias.”
(Daniel 2:25-28)

Qual era o propósito do sonho?

Saber “o que há de ser no fim dos dias.”
Na Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH) está vertido assim:
“Foi por meio do sonho que ele fez o senhor saber o que vai acontecer no futuro.” (Daniel 2:28)
“O grande Deus fez saber ao rei o que há de ser futuramente.” (Daniel 2:45 u.p.)
“O Grande Deus está revelando ao senhor o que vai acontecer no futuro.” (BLH)

Propósitos do Sonho
1. Tornar conhecido o Deus verdadeiro ao Rei e a toda Babilônia.
2. Mostrar que só o Deus criador dos céus e da terra teria este poder.
3. Mostrar ao rei que Deus “estabelece os reis e os remove”.
4. Mostrar a sorte dos reinos deste mundo (que são passageiros).
5. Mostrar que somente o reino de Deus será eterno e único.
6. Mostrar ao rei, a Daniel e aos que estudassem os seus escritos o que aconteceria no fim dos dias.