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sábado, 16 de maio de 2020

Autoridade dos Escritos de Ellen G. White

Autoridade dos Escritos de Ellen G. White



Ao longo de sua vida, Ellen White demonstrou ser a “mensageira do Senhor” tanto pelos muitos escritos sobre saúde, educação, conhecimento bíblico como por seu estilo de vida. Por isso, a partir deste ponto, destacaremos citações que ela fez sobre os acontecimentos finais e o tempo em que ocorrerão.
“Os Adventistas do Sétimo Dia não colocam os escritos de Ellen White no mesmo nível das Escrituras” (ARRAIS, Jonas, Ellen G. White’s Ministry, Review and Herald, Hagerstown MD, Elder’s Digest, October/December 2014, p. 9.), mas então qual seria a autoridade dos escritos de Ellen White?
Denton E. Rebok em seu livro Crede em Seus Profetas, a partir da página 58, descreve a posição da própria Ellen. G. White quanto aos seus escritos: “Não escrevo na revista um artigo que exprima meramente minhas próprias ideias. Eles são o que Deus tem me tem revelado em visão – os preciosos raios de luz a irradiarem do trono.” (WHITE, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 27)
“A irmã White não é originadora desses livros. Eles contém as instruções que durante a obra de sua vida Deus lhe tem estado a dar. Encerram a preciosa luz confortadora que Deus tem dado graciosamente à Sua serva para ser dada ao mundo”. (Idem, O Colportor Evangelista, Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, p. 125.)
 Denton conclui dizendo: “Em tudo isso, Ellen G. White reivindicava para si própria a mesma inspiração do Espírito Santo que moveu os antigos profetas a escreverem o que chamamos agora a Bíblia. As mensagens eram de Deus. A ela, da mesma maneira que aos antigos escritores bíblicos, ‘veio a Palavra do Senhor.’” (REBOK, Denton E., Crede em Seus Profetas, Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 1998, p. 161.)

Deus, Criador e Senhor da natureza e da história tem o direito de exercer autoridade sobre toda a humanidade (Is 45:22, 23), no entanto, nos tempos do Antigo Testamento, Deus delegou Sua autoridade a certas pessoas, que eram chamadas profetas, e Se comunicava com eles por meio de sonhos e visões (Nm 12:6). No Novo Testamento, o próprio Jesus delegou Sua autoridade aos Seus discípulos e outros profetas do Novo Testamento. Paulo pode dizer em 1 Tessalonicenses 2:13: “Ao receberem de nossa parte a palavra de Deus, vocês a aceitaram, não como palavra de homens, mas conforme ela verdadeiramente é, como palavra de Deus”. Esses profetas falaram inspirados por Deus e o povo de Deus os aceitou como mensageiros de Deus.
      Nem todos os escritos proféticos estão na Bíblia, pois muitos se perderam ao longo do tempo. São conhecidos porque são citados na Bíblia Sagrada (2Cr 9:29). O apóstolo Paulo escreveu uma série de cartas que também foram perdidas, por exemplo sua carta aos Laodiceanos (Cl 4:16) ou sua primeira carta aos Coríntios (1Co 5:9). Embora não estejam naBíblia, certamente foram inspirados por Deus e úteis para o povo que recebeu as mensagens em seu tempo.

Mas o que podemos dizer dos escritos de Ellen G. White? Que autoridade teriam seus escritos? Seriam seus escritos tão inspirados quanto aos dos profetas da Bíblia Sagrada?

As Escrituras são a mensagem de Deus para todo o tempo e todas as pessoas. É a vara de medir, a medida padrão, pela qual tudo deve ser auferido. É a diretriz suprema para todos os cristãos. Os escritos de Ellen White, por outro lado, são mensagens de Deus para um povo em particular – Sua igreja remanescente, em um momento particular da história – o tempo do fim. Seus escritos não são uma norma nova ou adicional de doutrina, mas uma ajuda para a igreja no tempo do fim. Por isso os seus escritos têm uma finalidade diferente da Escritura, eles são ‘a luz menor para guiar à luz maior’. (PFANDL, Gerhard, The Authority of Ellen G. White Writtings, <https://adventistbiblicalresearch.org/materials/adventist-heritage/authority-ellen-g-white-writings> Acesso em 12 de janeiro de 2014. (Tradução própria.)

Em 1982, a Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia emitiu um comunicado de afirmações e negações em relação aos escritos de Ellen White. (O artigo completo pode ser encontrado na revista Ministry, de agosto de 1982.)
Esse artigo informa: “Cremos que Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo, e que seus escritos, o produto dessa inspiração, são aplicáveis ​​de forma autoritária especialmente para adventistas do sétimo dia.”
O artigo também deixa claro que “enquanto a qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White não é diferente do que das Escrituras, os adventistas do sétimo dia não creem que os escritos de Ellen White sejam um acréscimo ao cânon das Sagradas Escrituras.”

Os adventistas do sétimo dia rejeitam a ideia de que existem graus de inspiração. Eles creem que Ellen White foi a mensageira de Deus e que foi inspirada, assim como os profetas do Antigo e do Novo Testamentos. Portanto, se Ellen White foi inspirada como os profetas do Antigo e Novo Testamentos, que autoridade devem ter seus escritos? A resposta só pode ser: Eles têm a mesma autoridade que os escritos dos profetas não canônicos tiveram para seu tempo. (PFANDL, Gerhard, The Authority of Ellen G. White Writtings, <https://adventistbiblicalresearch.org/materials/adventist-heritage/authority-ellen-g-white-writings> Acesso em 12 de janeiro de 2014. (Tradução própria.)

Ou seja, a mesma autoridade que tiveram os livros do profeta Natã, Ido, as cartas escritas por Paulo e que não constam nas Escrituras e que, no entanto, foram inspiradas por Deus.
Para não haver dúvidas sobre sua inspiração, ela mesma escreveu:  

 Ou Deus está ensinando Sua igreja, reprovando seus erros e fortalecendo a sua fé, ou não está. Esta obra ou é de Deus ou não é. Deus não faz nada em parceria com Satanás. Meu trabalho, ao longo dos últimos trinta anos, traz o selo de Deus ou o do inimigo. Não há meio-termo nesta questão. Os Testemunhos são do Espírito de Deus, ou do diabo. (WHITE, Testemunhos Para a Igreja, v. 4, p. 229.)

         Em uma carta para a igreja de Battle Creek, ela escreveu: “Não escrevo um artigo sequer, na revista, expressando meras ideias minhas. Correspondem ao que Deus me revelou em visão – os preciosos raios de luz que brilham do trono.” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 67.)

O motivo pelo qual suas palavras têm autoridade é por causa de sua origem, ou de sua fonte divina. Para os que se recusaram aceitar seus ensinos como tendo autoridade divina ela disse:

Não obstante, quando vos mando um testemunho ou advertência e reprovação muitos de vós declarais ser simplesmente a opinião da irmã White. Tendes assim insultado o Espírito de Deus. Sabeis como o Senhor Se tem manifestado por meio do Espírito de Profecia. (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 27.)

Ao mesmo tempo, ela enfatiza a submissão à Bíblia, a qual ela chama de “luz maior”. (O Colportor Evangelista, p. 125.) Ela ainda escreveu: “Temos que receber essa Palavra como autoridade suprema” (Atos dos Apóstolos, p. 38.), e “As Santas Escrituras devem ser aceitas como autorizada e infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa.” (E Recebereis Poder, Meditação Matinal, Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 1999, p. 224.)
Todavia, o fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra, não tornou desnecessária a contínua presença e direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido por nosso Salvador para aclarar a Palavra a Seus servos, para iluminar e aplicar os Seus ensinos. (O Grande Conflito, Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 1987, p. 9.)

Podemos afirmar que a Igreja Adventista do Sétimo Dia considera Ellen G. White tão inspirada quanto o foi João ou Daniel, pois seus escritos vêm da mesma fonte divina.

Desde seu início, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem reconhecido o enorme valor e autoridade dos escritos de Ellen White. Já em 1855, a liderança do Movimento Adventista publicamente afirmou que eles consideravam os escritos de Ellen White como vindo de Deus. Por isso, “temos de reconhecer-nos na obrigação de respeitar os seus ensinamentos, e ser corrigidos por suas admoestações” (RH, 4 de dezembro de 1855). Desde então, as reuniões da Conferência Geral quando em sessão, de tempos em tempos, emitiram declarações expressando confiança nos escritos de Ellen White, “como ensinamentos do Espírito de Deus” (RH, 14 de fevereiro de 1871). Em 1980, a Conferência Geral em sessão, em Dallas, Texas, votou a adoção das 27 crenças fundamentais (atualmente são 28).
Podemos encontrar essa decisão no Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, onde lemos:

Um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Este dom é um sinal identificador da igreja remanescente, e foi manifestado no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e autorizada fonte de verdade que proporciona conforto, orientação, instrução e correção à igreja. Eles também tornam claro que a Bíblia é a norma pela qual deve ser provado todo ensino e experiência. (Manual da Igreja Adventista do 7º Dia, Tatuí, Casa Publicadora Brasileira, 20ª edição, 2006, p. 15.)

Na Revista Adventista de junho de 1982, foram publicados diversos artigos sobre Ellen G. White. Em uma entrevista com o Pr. Elbio Pereyra, na época, secretário associado do “Patrimônio Literário de Ellen White”, quando lhe foi perguntado se a inspiração de Ellen White é igual à dos profetas bíblicos, ele respondeu:

A Sra. White diz que algumas pessoas em Battle Creek estavam classificando a inspiração em dois graus: um inferior e outro superior. Então ela escreveu dizendo que não existe tal coisa. A Igreja Católica, a partir do Concílio de Trento, passou a admitir um grau inferior de inspiração nos livros apócrifos. Mas a Igreja Adventista não admite graus de inspiração. O assunto é inspirado ou não. (PEREYRA, Elbio, Revelação e Inspiração, Casa Publicadora Brasileira, Santo André, Revista Adventista, p. 12, junho de 1982.)

O Pr. Alberto R. Timm, que foi por muito tempo diretor do “Centro de Pesquisas Ellen G. White” do Brasil, em sua apostila “Orientação Profética na Igreja Adventista do Sétimo Dia”, diz que

A autoridade dos escritos de Ellen G. White” tem “inspiração semelhante à das Escrituras. Não existem diferentes graus de inspiração.” Também a “autoridade profética é semelhante à das Escrituras. Não existem diferentes graus de autoridade profética. Rejeitar a mensagem de um profeta do Senhor significa rejeitar o próprio Senhor que a enviou (cf Lc 10:16)”. Mas a “função é diferente das Escrituras: a Bíblia” foi e é “para todos os tempos e lugares”; Ellen White aplica-se ao tempo do fim e à Igreja Adventista do Sétimo Dia. (TIMM, Alberto R., Orientação Profética na Igreja Adventista do Sétimo Dia, Engenheiro Coelho, Centro Universitário Adventista de São Paulo, 2002, p. 22.)

É um grande privilégio ter à nossa disposição mensagens vindas de Deus através de Sua mensageira, embora este privilégio envolva grande responsabilidade.

Nas balanças do santuário há de ser pesada a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ela será julgada pelos privilégios e vantagens que tem gozado. Se sua experiência espiritual não corresponde às vantagens que, a preço infinito, Cristo lhe concedeu; se as bênçãos que lhe foram conferidas não a habilitarem para fazer a obra que lhe foi confiada, sobre ela será pronunciada a sentença: “Achada em falta”. Pela luz que lhe foi concedida, pelas oportunidades dadas, será ela julgada. (WHITE, Eventos Finais, p. 59.)

Considero os Testemunhos um grande privilégio para os adventistas do sétimo dia, pois eles têm acesso a muito mais informação.
Sabendo disso, Satanás tem procurado enfraquecer a fé nos Testemunhos. É comum ouvir de irmãos Adventistas as seguintes desculpas:
·       Isto foi escrito para o tempo dela.
·       O que realmente ela quis dizer não é bem isso.
·       O Espírito de Profecia é um mar de onde pode se pinçar o que quiser.
·       Isto é algo que deverá ser levado em conta apenas no final.

O plano de Satanás é enfraquecer a fé do povo de Deus nos Testemunhos. Em seguida vem o cepticismo no tocante aos pontos vitais de nossa fé, as colunas de nossa posição, depois as dúvidas acerca das Escrituras Sagradas, e então a caminhada descendente para a perdição. (Eventos Finais, p. 178)


        Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia.
                                                                                   Apocalipse 19:10